Estado
Construção civil abre mais de 7 mil vagas em MS, mas empresas enfrentam falta de profissionais
Setor respondeu por mais de um terço dos empregos formais criados no Estado entre janeiro e agosto de 2026; qualificação e atração de novos profissionais estão entre os principais desafios
Divulgação/Da Redação
A construção civil abriu 7.392 empregos formais em Mato Grosso do Sul entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados do Novo Caged. O resultado representa cerca de 36% dos 20.456 novos postos de trabalho criados no Estado no período.
Com esse desempenho, a construção ficou atrás apenas do setor de Serviços, responsável por 8.644 novas vagas. Em agosto, a atividade manteve o saldo positivo, com a abertura de outros 195 empregos formais.
Os números mostram a relevância da construção civil para a economia sul-mato-grossense, mas também evidenciam um desafio enfrentado pelas empresas: encontrar profissionais disponíveis e qualificados para acompanhar o ritmo de crescimento das obras e dos investimentos.
“O desafio hoje não é a falta de vagas, mas encontrar profissionais disponíveis e preparados para ocupá-las. A construção civil vive um ciclo forte em Mato Grosso do Sul, com a geração de novos empregos formais e a abertura de oportunidades”, afirma Valéria Gabas, diretora da Unidade de Negócio da Plaenge em Campo Grande.
Na capital, o setor abriu 1.357 empregos formais entre janeiro e agosto. Considerando todas as atividades econômicas, Campo Grande acumulou saldo positivo de 3.772 vagas no período.
Escassez atinge diferentes funções
A dificuldade de contratação está presente tanto nas atividades operacionais dos canteiros quanto nas funções técnicas e especializadas. Entre os profissionais procurados estão serventes, pedreiros, carpinteiros, armadores, encarregados, mestres de obras e trabalhadores de áreas técnicas.
Para Valéria Gabas, a expansão do setor precisa ser acompanhada por uma agenda consistente de formação e desenvolvimento profissional. “A falta de mão de obra qualificada impacta diretamente a produtividade e, consequentemente, os custos das obras. A qualificação não é apenas uma resposta à escassez de profissionais, mas uma estratégia para sustentar o desenvolvimento do setor, incorporar novas tecnologias, aumentar a produtividade e criar oportunidades de carreira”, explica.
O vice-presidente do Sinduscon-MS, Amarildo Miranda Melo, afirma que essa dificuldade já é percebida pelas empresas em diferentes níveis. “Faltam profissionais em funções como servente, pedreiro, carpinteiro, armador, encarregado de obras e mestre, além de profissionais técnicos e especializados. A dificuldade não está apenas em encontrar pessoas que queiram trabalhar, mas também em encontrar trabalhadores qualificados. A construção civil está mudando e as empresas precisam de profissionais cada vez mais preparados”, afirma.
Tecnologia transforma o perfil profissional
Ao mesmo tempo em que amplia a geração de empregos, a transformação dos processos construtivos cria exigências para quem deseja ingressar ou crescer no setor.
Tecnologias como BIM, inteligência artificial, automação, drones e processos industrializados aumentam a demanda por conhecimentos relacionados à modelagem digital, ao planejamento, à gestão de dados, à logística e à coordenação de projetos. O movimento também exige a atualização das equipes que já atuam nos canteiros.
“A construção civil está incorporando tecnologias que tornam as obras mais produtivas, eficientes e sustentáveis. Com isso, aumentam as oportunidades para profissionais especializados, ao mesmo tempo em que cresce a necessidade de qualificação das equipes”, destaca Valéria.
Participação feminina pode ampliar a força de trabalho
A atração de novos públicos também aparece como uma alternativa para ampliar a base de profissionais. Dados da RAIS 2024 mostram que as mulheres representam 11,5% da força de trabalho formal da construção civil brasileira.
Em Mato Grosso do Sul, uma das iniciativas voltadas a esse desafio é o Elas Constroem, desenvolvido pelo Sinduscon-MS com a participação da CBIC, do SENAI-MS e da Plaenge Campo Grande. O projeto promove qualificação profissional e aproxima mulheres das oportunidades existentes na construção civil.
Em Campo Grande, a iniciativa já formou duas turmas e iniciou uma terceira em agosto, com 78 alunas. Entre as formações oferecidas estão cursos para atuação em funções como pedreira de alvenaria, pintora imobiliária e eletricista predial.
“O projeto Elas Constroem busca fornecer profissionais qualificados ao setor e, ao mesmo tempo, ampliar e diversificar essa base por meio da inclusão feminina”, explica Amarildo Melo.
O Sinduscon-MS também desenvolve o Sindicato Qualifica, com cursos de formação e requalificação profissional em parceria com instituições como FIEMS, SENAI e CBIC.
Articulação para sustentar o crescimento
Para acompanhar a expansão da construção civil, Valéria defende uma aproximação maior entre empresas, instituições de ensino, entidades setoriais e poder público. “Precisamos construir uma agenda conjunta de qualificação alinhada às necessidades do mercado. Além de investir em capacitação, será importante desenvolver programas para atrair mais jovens e mulheres para a construção civil. O futuro do setor depende da nossa capacidade de transformar oportunidades de trabalho em oportunidades de carreira e desenvolvimento das pessoas”, conclui.