Policial
Operação encontra pessoa em cárcere privado e apreende armas durante investigação
Dourados Informa
A PC (Polícia Civil) deflagrou nesta terça-feira (18/8), a operação Cura Terapêutica, que investiga suposta estrutura criminosa formada por empresas que prestavam serviços de internação para dependentes químicos custeados pelo Poder Público. Ao todo, são cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Dourados, Fátima do Sul, Deodápolis, Glória de Dourados e Ponta Porã.
Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores superiores a R$ 1 milhão. A investigação é conduzida pela Deccor (Delegacia Especializada de Combate à Corrupção ).
De acordo com a Polícia Civil, o inquérito foi instaurado para apurar possíveis crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa, há pouco mais de um ano e aponta que empresas formalmente diferentes teriam, na prática, vínculos entre si e atuação coordenada.
Ao todo, 13 pessoas físicas e jurídicas são investigadas.
Segundo a investigação, estabelecimentos ligados ao grupo teriam oferecido ao Poder Público serviços de internação para dependentes químicos sem atender aos requisitos técnicos necessários para funcionar como clínicas especializadas.
Durante inspeções realizadas por órgãos de fiscalização e atenção à saúde, teriam sido encontradas irregularidades como falta de alvarás sanitários, ausência de equipe técnica mínima e condições consideradas precárias nas instalações.
A apuração também busca esclarecer como os serviços eram contratados e pagos.
Conforme os elementos apresentados à Justiça, foram identificadas contratações realizadas diretamente pelo Poder Público, além de situações relacionadas a processos judiciais em que o Estado ou municípios eram obrigados a custear internações.
A suspeita é de que empresas ligadas ao mesmo grupo tenham apresentado propostas e orçamentos em procedimentos de contratação e também em processos judiciais, mesmo existindo indícios de que eram controladas pelas mesmas pessoas ou atuavam de forma integrada.
A Polícia Civil analisou uma amostra de 66 processos judiciais referentes aos anos de 2023 e 2024 nos quais foi possível identificar repasses de dinheiro público.
A partir dessa análise, a investigação estima que a vantagem econômica relacionada às contratações sob apuração ultrapasse R$ 1 milhão.
Também foram identificadas movimentações financeiras consideradas atípicas entre pessoas físicas e jurídicas investigadas. Segundo a polícia, os dados apontam para uma possível concentração e posterior redistribuição de recursos, circunstância que fundamenta a investigação por possível lavagem de dinheiro.
As buscas realizadas nesta terça-feira têm como objetivo recolher documentos, aparelhos eletrônicos, registros contábeis e outros materiais que possam ajudar a esclarecer o funcionamento do grupo e a participação individual de cada investigado.
Pessoa é encontrada em cárcere privado
Durante o cumprimento das ordens judiciais, as equipes policiais também encontraram uma pessoa que estaria em situação de cárcere privado.
No decorrer da operação, foram apreendidas ainda três armas de fogo, munições, medicamentos de uso controlado em situação irregular, cartões bancários em nome de terceiros, documentos e outros materiais que poderão ser utilizados como elementos de prova.
Três pessoas foram presas em flagrante. Elas foram autuadas, conforme a Polícia Civil, por crimes relacionados à posse irregular de arma de fogo, tráfico de drogas, sequestro e cárcere privado.
As prisões em flagrante ocorreram no contexto das diligências realizadas durante a operação e serão analisadas separadamente das suspeitas que deram origem à investigação principal.
36 policiais participam da operação
A operação mobilizou 36 policiais civis e contou com equipes da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (DPE), Departamento de Polícia do Interior (DPI), Garras, Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron), além das Delegacias Regionais de Ponta Porã e Fátima do Sul e das delegacias de Glória de Dourados e Deodápolis.
Também participaram das ações representantes da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, Vigilância Sanitária e Conselho Regional de Farmácia.
A Operação Cura Terapêutica está inserida na Operação Renorcrim-Recupera, iniciativa de âmbito nacional voltada ao enfrentamento de organizações criminosas e coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), por meio da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Segundo a Polícia Civil, as investigações continuam com o objetivo de esclarecer completamente os fatos e individualizar a conduta de cada pessoa ou empresa envolvida.
O nome da operação, “Cura Terapêutica', faz referência, segundo a própria polícia, à atuação conjunta dos órgãos públicos para interromper a estrutura investigada, especialmente diante da suspeita de prejuízos tanto aos cofres públicos quanto a pessoas em situação de vulnerabilidade que necessitavam de atendimento especializado.