Sem acesso a mandado, defesa diz que só Neno pode decidir se entregar ou não

Advogado do ex-deputado aguarda a notificação formal da ordem de prisão para tomar medida judicial

Lucia Morel / Campo Grande News


Ex-deputado Neno Razuk, na tribuna da Assembleia Legislativa de MS. (Foto: ALEMS - Luciana Nassar / Wagner Guimarães)

A defesa do ex-deputado Roberto Razuk Filho (sem partido) aguarda a notificação formal do mandado de prisão para tomar alguma medida judicial. O advogado de Neno, Ricardo Souza Pereira informou que seu cliente não foi preso até o momento e que também não teve acesso ao mandado de prisão.

Sobre a possibilidade dele se entregar deliberadamente às autoridades policiais, Pereira disse que a decisão é de foro íntimo, mas sem manifestação até o momento. 'Quando eu tiver acesso e passar para ele, ele deve tomar uma decisão', definiu. A defesa disse não saber onde seu cliente está: se na casa dele em Dourados ou em Campo Grande ou se estaria viajando ou fora do País.

Na manhã de hoje, conforme apurado, equipes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) estiveram nos dois endereços do ex-deputado, mas ele não foi localizado.

Segundo o advogado de Neno, somente após ler os termos da decisão que determinou a prisão e o mandado é que se poderá configurar o réu como foragido ou não. Pela lei brasileira, um mandado de prisão em aberto não configura, automaticamente, essa condição ao réu.

Successione - Alvo de fases da Operação Successione desde dezembro de 2023, Neno Razuk já foi condenado em primeira instância a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão por organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho, mas recorria em liberdade.

Em maio, após a recontagem de votos pela Justiça Eleitoral, Neno perdeu a cadeira na Assembleia Legislativa. Sem o cargo, ele deixou de ter as proteções institucionais de deputado estadual. Entre elas, o foro por prerrogativa de função, pelo qual determinadas autoridades são julgadas diretamente por tribunais em casos ligados ao exercício do cargo.

Além da condenação, o ex-deputado estadual é réu na quarta fase da Successione, que foi realizada em 25 de novembro de 2025. A ação prendeu o pai e dois filhos do clã Razuk. Apenas a filha e a esposa de Roberto Razuk foram poupadas pela operação.