Chikungunya eleva internações e coloca duas mortes sob investigação

Dourados Agora/Flávio Verão


Boletim da Sems traz dados de 29 de março a 4 de abril (Foto: Reprodução)

Dourados segue enfrentando um cenário crítico com o avanço da chikungunya, conforme aponta boletim epidemiológico divulgado neste domingo (5) pela Secretaria Municipal de Saúde, com dados entre os dias 29 de março e 4 de abril. O município permanece em situação de emergência em saúde pública, diante da rápida disseminação da doença e do aumento na demanda por atendimento médico.

De acordo com o relatório, duas mortes estão sendo investigadas por possível relação com a chikungunya: um homem de 55 anos e um adolescente de 12 anos, ambos sem comorbidades. Caso sejam confirmados, os números de óbitos podem subir ainda mais no município, que já contabiliza cinco mortes confirmadas pela doença neste ano.

O boletim revela que, desde janeiro, foram registradas 3.671 notificações de chikungunya em Dourados. Deste total, 2.733 são considerados casos prováveis, 1.365 já foram confirmados, 469 descartados e 1.837 ainda seguem em investigação. A taxa de positividade dos exames chegou a 74,42%, índice extremamente elevado e que indica ampla circulação do vírus na cidade.

A doença, que inicialmente tinha maior concentração na Reserva Indígena, agora avança para bairros da área urbana, com destaque para regiões como Parque do Lago, BNH IV Plano e Jardim Jóquei Clube, que apresentam aumento significativo de casos.

Apesar de uma aparente redução na curva mais recente, a Secretaria de Saúde alerta que isso se deve ao atraso na inserção dos dados, situação comum em períodos de epidemia, especialmente diante da sobrecarga dos serviços de saúde.

O impacto já é sentido diretamente nas unidades de atendimento. Nos últimos 15 dias, a média diária de atendimentos na UPA saltou de 302 para 448,7 pacientes após o dia 23 de março, crescimento associado ao aumento dos casos suspeitos de chikungunya.

Atualmente, 35 pessoas estão internadas em hospitais de Dourados com suspeita ou confirmação da doença, incluindo unidades como o Hospital da Vida, Hospital Universitário da UFGD e Hospital Regional.

Na Reserva Indígena, que ainda concentra a maior parte dos casos, foram registradas 1.996 notificações, com 1.115 confirmações, 388 descartes e 493 casos em investigação, além de 227 atendimentos hospitalares. Todos os óbitos confirmados até agora ocorreram entre indígenas.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o avanço da doença já provoca forte pressão sobre a rede pública, atingindo desde a atenção básica até os serviços de urgência e a ocupação de leitos hospitalares. A taxa de ataque da chikungunya no município está em 10,35 casos por mil habitantes, indicador que reforça o alto risco de transmissão e o impacto da epidemia sobre a população.

Diante do cenário, as autoridades reforçam a importância da eliminação de focos do mosquito Aedes aegypti, principal transmissor da doença, como medida essencial para conter o avanço da epidemia em Dourados.