Ex-prefeito Alcides Bernal mata auditor a tiros durante disputa por imóvel

Dourados Agora/Flávio Verão


Local do crime está isolado. (Foto: Aline Machado, Midiamax)

O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, matou a tiros o auditor fiscal Roberto Carlos Mazini, de 61 anos, na tarde desta terça-feira (24), em uma residência localizada na Rua Antônio Maria Coelho, no bairro Jardim dos Estados, na capital sul-mato-grossense.

Segundo informações apuradas, o crime aconteceu no momento em que a vítima chegava ao imóvel acompanhada de um chaveiro para realizar a abertura da casa. Mazini havia arrematado o imóvel em leilão e foi ao local para assumir a posse, o que não era aceito por Bernal.

Durante a discussão, o ex-prefeito efetuou dois disparos contra o auditor. Equipes de socorro chegaram a realizar manobras de reanimação por cerca de 25 minutos, mas a vítima não resistiu aos ferimentos.

Após o crime, Bernal deixou o local, mas se apresentou pouco tempo depois na 1ª Delegacia de Polícia Civil, na Rua Padre João Crippa.

O imóvel onde ocorreu o crime possui terreno de 1.440 metros quadrados e área construída de 678 metros quadrados, avaliado em aproximadamente R$ 3,7 milhões. A propriedade foi levada a leilão em 2025 devido a dívidas, com lance mínimo de R$ 2,4 milhões.

Bernal não concordava com a venda judicial do bem, o que teria motivado o confronto que terminou em morte.

Alcides Bernal teve trajetória política marcada por disputas e controvérsias. Foi vereador por dois mandatos e eleito deputado estadual em 2010. Em 2012, venceu a eleição para prefeito de Campo Grande com 62,55% dos votos no segundo turno.

Durante a gestão, enfrentou sucessivos embates políticos e chegou a ser cassado pela Câmara Municipal sob acusação de crimes político-administrativos, tornando-se o único prefeito cassado da história da capital. A decisão foi alvo de disputas judiciais, com idas e vindas no cargo até 2015.

Nos últimos anos, também enfrentou processos judiciais, incluindo cobrança de dívida de pensão alimentícia superior a R$ 112 mil, além de outros episódios controversos ao longo da carreira.

O caso será investigado pela Polícia Civil.