Inpasa vai à Justiça de MS para reaver 40 caminhões retidos por empresa em crise

Segundo a empresa, os veículos deveriam ter sido devolvidos após a rescisão contratual, mas seguem sendo utilizados pela parceira, que enfrenta grave crise financeira

Correio do Estado / Eduardo Miranda


Parceira da Inpasa está retendo caminhões-tanque - Divulgação

A Inpasa Agroindustrial S.A., uma das maiores produtoras de etanol de milho do país, acionou a Justiça de Mato Grosso do Sul para reaver 40 caminhões de sua frota — compostos por cavalos mecânicos e carretas-tanque — que continuam em circulação sob posse irregular do Grupo D&D Logística e Transporte, atualmente em recuperação judicial.

Segundo a empresa, os veículos deveriam ter sido devolvidos após a rescisão contratual, mas seguem sendo utilizados pela parceira, que enfrenta grave crise financeira, para realizar fretes com terceiros. Os rastreadores foram desativados, dificultando a localização dos bens.

Frota milionária em disputa

O processo traz a relação detalhada dos veículos, que inclui cavalos mecânicos Iveco 6x4 e dezenas de reboques tanques das marcas Randon e Biasi, todos modelos recentes (2021/2022).

Juntos, os ativos representam investimentos de alto valor, utilizados no transporte de etanol e combustíveis em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.

No total, a frota listada contabiliza:

  • 20 cavalos mecânicos (caminhões trator 6x4)
  • 20 reboques tanques (dianteiros e traseiros, acoplados)
  • 40 veículos ao todo

Descumprimento judicial e multas

A Justiça de Sinop (MT) já havia determinado a devolução imediata da frota, com multa diária que chegou a R$ 50 mil pelo descumprimento. Mesmo assim, o Grupo D&D permaneceu inerte, mantendo a posse dos caminhões e usando-os em operações próprias.

Diante da situação, a Inpasa solicitou o cumprimento da ordem em regime de plantão judicial em Campo Grande, incluindo autorização para uso de força policial e até mesmo diligências em horário noturno, para evitar o desaparecimento dos veículos.

Impasse empresarial

A disputa judicial evidencia o impacto da crise do Grupo D&D, que deixou de honrar contratos e interrompeu o transporte mínimo acordado com a Inpasa há mais de cinco meses. A empresa acusa a parceira de “apropriação indevida” dos caminhões e de enriquecimento ilícito, já que os veículos estariam sendo usados para gerar receita sem qualquer repasse.

Enquanto o impasse persiste, a Inpasa afirma estar sendo lesada em suas operações logísticas e exige a restituição integral da frota, fundamental para o escoamento de etanol de milho produzido em Mato Grosso.