Dourados completa 88 anos à espera de transformação prometida com empréstimo de 40 milhões de dólares

Mesmo com orçamento de R$ 1,8 bilhão para 2024, gestão municipal aponta R$ 180 milhões para investimentos com recursos próprios

André Bento


Dourados é a cidade mais populosa do interior do Estado, com maioria de mulheres entre habitantes (Foto: Franz Mendes/Divulgação)

O município de Dourados celebra 88 anos de emancipação político-administrativa nesta quarta-feira, dia 20 de dezembro. Com a maior população do interior de Mato Grosso do Sul e polo de uma macrorregião composta por 34 municípios cuja somatória de habitantes beira 900 mil, vive a expectativa de transformação com aporte de 40 milhões de dólares de financiamento internacional.

Conforme os dados consolidados do Censo Demográfico de 2022 elaborado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), 243.367 pessoas habitam essas terras, das quais 123.623 são mulheres e 119.744 homens.

Na esfera político-administrativa, Dourados terá orçamento recorde de R$ 1.810 bilhão para 2024, alta de R$ 1,1 bilhão no decorrer de 10 anos, já que em 2014, quando celebrava 79 anos, dispunha de R$ 708.600.000,00.

Empréstimo internacinal

Porém, mesmo com essa crescente de receitas municipais, R$ 180.582.368,00 da peça orçamentária têm como destino investimentos, razão pela qual a grande aposta da atual gestão pública do município para transformar a maior cidade do interior sul-mato-grossense reside no empréstimo de US$ 40 milhões contratado em 10 de outubro de 2022 pelo prefeito Alan Guedes (PP) junto ao Fonplata (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Plata).

É com esse aporte que o gestor pretende tocar o “Programa de Desenvolvimento de Dourados – Desenvolve Dourados”, que já teve licitações para obras estruturantes lançadas, entre elas da construção da nova Central de Atendimento ao Cidadão, orçada em R$ 11 milhões, atualmente suspensa e sem data para ser retomada.

Obras prometidas

No projeto enviado à Câmara de Vereadores com pedido de autorização para contrair essa dívida, o prefeito Alan Guedes detalhou parte dos projetos. Com bastante enfoque na infraestrutura urbana, prevê que a Avenida Joaquim Teixeira Alves passe a ter sentido único de tráfego, de leste a oeste, num sistema binário com área de 73 mil metros quadrados de pavimento asfáltico e 15,6 mil metros quadrados de canteiro central.

Além disso, 13 mil metros quadrados de pavimentação em concreto para construção de ciclovia, parte no canteiro central e nos trechos de estreitamento sem canteiro, na calçada.

Para a Avenida Weimar Gonçalves Torres, o sistema binário com extensão de 6,4 quilômetros limitado à esquerda pela Avenida Aziz Rasselem e à direita pela Rua Brasil, de oeste para leste, com 96 mil metros quadrados de pavimento asfáltico e 32 mil metros quadrados de canteiro central. A ciclovia deve ocupar 13 mil metros quadrados de pavimento em concreto inteiramente no canteiro central.

“Além da implantação do sistema binário, também faz parte da requalificação a recuperação ambiental e paisagística dos canteiros centrais, a implantação de infraestrutura cicloviária junto ao canteiro central, adequação e remanejo das áreas de estacionamento do canteiro central, revitalização urbanística conforme Projeto Calçada Legal do Plano de Mobilidade, instalação de dispositivos semafóricos, execução de sinalização viária e compatibilização de estacionamento e pista de rolamento”, prevê o “Programa de Desenvolvimento de Dourados – Desenvolve Dourados”.

Já a Avenida Marcelino Pires, principal da cidade, deve continuar com os dois sentidos de tráfego e receber a implantação de ciclovia em uma área de aproximadamente 75,1 mil metros quadrados.

Nesse ponto, o projeto de lei cita trecho “especificado no Projeto de Rede Cicloviária Integrada do Plano Diretor de Mobilidade Urbana de Dourados”, segundo o qual “a implantação de ciclovia pavimentada com concreto no canteiro central da Avenida Marcelino Pires tem extensão estimada em 10,4 quilômetros, com limite a oeste na Avenida Aziz Rasselem e a leste na BR-163, resultando em 26 mil metros quadrados de pavimentação em concreto para ciclovia”.

No papel, tudo leva a crer que a história de Dourados terá novo rumo, de forma positiva, com esse aporte de US$ 40 milhões do Fonplata. É mínimo que se espera dos gestores que ficarão responsáveis por executar as obras, afinal, o dinheiro é fruto de empréstimo, será repassado ao município ao longo de cinco anos e o pagamento terá carência de 48 meses, amortizado em 132 meses, mediante o pagamento de até 22 parcelas semestrais consecutivas e acrescidas de juros com taxas a partir de 1,89% ao ano + LIBOR 6 meses para o dólar norte-americano.

História contestada

A celebração de hoje remete ao ato de 20 de dezembro de 1935 do então governador de Mato Grosso do Sul, Mário Corrêa da Costa, que através do Decreto nº 30 criou o município a partir de áreas desmembradas de Ponta Porã.

No entanto, em 2016 o historiador Carlos Magno Amarilha entregou em mãos ao presidente da Câmara Municipal da época, vereador Idenor Machado, cópia de um amplo estudo que propôs o reconhecimento de 15 de junho como “o dia de todos os povos de Dourados”, em alusão à fundação do Distrito de Paz de Dourados, com sede no Patrimônio de Dourados (atual Dourados), nessa data, no ano de 1914, há 108 anos.

Fruto de três anos de estudos, esse documento também sugeriu a retirada da frase “Terra de Antônio João” do dístico do brasão do município, assegurando não terem sido encontradas provas da passagem desse herói da Guerra do Paraguai por essa região.

Quanto à celebração do aniversário em 20 de dezembro, o relatório mencionou que nem sempre foi respeitada e até hoje é ofuscada pelas festividades de fim de ano.

“A partir dos anos de 2006, o aniversário da cidade de Dourados comemorado todos os anos no dia 20 de dezembro deixou de ser uma data pomposa e representativa, digna de sua memória, pois perde a importância para o comércio aberto e para as festas de fim de ano realizadas na Praça Antônio João promovido pela Prefeitura Municipal de Dourados”, pontuou o documento.

Em seguida, detalhou que “a data de comemoração do aniversário de Dourados, o dia vinte de dezembro, começa a ser efetivado no ano de 1953, aprovado na Câmara Municipal de Dourados como projeto de lei apresentado pelo vereador Aguiar Ferreira de Sousa e sancionada pelo prefeito Nélson de Araújo. Lei n.º 60, de 25 de novembro de 1953”, e observa que a data em comemoração ao aniversário da cidade de Dourados, deu-se tardiamente.

“[…] apenas no ano de 1953 é que se constituiu um feriado municipal e somente a partir de 1954 que a Prefeitura Municipal de Dourados dá início à organização de festejos para a comemoração do aniversário de Dourados. Ou seja, após 40 anos da elevação do Patrimônio de Dourados como sede do Distrito de Paz de Dourados, assinada pelo governador em 15 de junho de 1914 e dezoito anos depois de sua emancipação política, sendo a data escolhida, o dia em que o governador assinou o Decreto n.º 30, que foi o dia 20 de dezembro de 1935”.

Porém, as sugestões feitas pelo historiador Carlos Magno Amarilha não chegaram a ser implementadas, refutadas por descendentes de pioneiros.

Mas o amplo estudo embasou o livro “História de Dourados: Gênese de sua fundação (1914-1943)”, lançado em maio deste ano por Amarilha, em evento na mesma Câmara Municipal onde o relatório havia sido entregue seis anos atrás.

A obra descreve que Dourados “transformou-se em distrito em 15 de junho de 1914, em município em 20 de dezembro de 1935 e no ano de 1943 em Colônia Agrícola Nacional de Dourados”.  Publicado em papel e no formato digital (Amazon), o livro também pode ser adquirido com a assessoria do Grupo Literário Arandu, cujos contatos disponíveis incluem o e-mail [email protected] e o WhataApp número (67) 9.8148-0894.

Dourados Brilha

Como parte das celebrações de 88 anos, a programação de aniversário Dourados Brilha, na Praça Antônio João, tem início às 19h, com a missa na Catedral Imaculada Conceição. Posteriormente haverá queima de fogos e o show com o cantor Rafael Sá.